Papo com a Chef Luciana Leite

Luciana é uma expoente na gastronomia Mato-grossense e está sempre presente nos grandes eventos ligados ao paladar de todos, dos simples, até os mais exigentes e experientes amantes de uma boa mesa.

Sagaz e esperta, procura estar sempre antenada em tudo que rola na culinária contemporânea. Luciana esbanja conhecimento, demonstrando em cada evento, e também em seu trabalho cotidiano, uma identidade só sua.

Rondonopolitana de nascimento, é formada em administração de empresas pelo ICE, e especialista em comportamento humano nas organizações pela UFMT. Formada em gastronomia pela UNIC é praticioner 1º nível em PNL e profissional do vinho pela WS 1° nível pela ESCOLA DO VINHO.

De uma opinião marcante, a Chef nos passou algumas posições e questionamentos próprios, sobre aquilo sabe e ama fazer.

Tudo começou por puro hoby, para ocupar o tempo. Na verdade, sempre sonhou em ser chef, como aqui não tinha faculdade e ela não tinha condições de ir estudar em outra cidade, deixou esse sonho de lado. Quando a Unic lançou o curso, nem olhou grade curricular, foi lá e se matriculou. De lá pra cá, são 10 anos de formada, atuando desde o primeiro ano de formada, como colunista gastronômica do jornal Diário de Cuiabá.

Sobre o que mais gosta de fazer, não se considera uma profissional especialista em uma determinada área da atual gastronomia. Diz que pratica a arte da cozinha, primeiro por dom, segundo por puro amor, para ela, cozinhar é uma grande brincadeira séria, por isso, por pensar assim, se diverte cozinhando de tudo um pouquinho,mas, gosta de cozinhar, “COMIDÃO”, comida de fazenda, comida para lembrar da infância, comida de verdade, que não precisa de “bula” para explicar o que está se comendo, gosta de fazer comida que agregue as pessoas, que junte essas mesmas pessoas ao redor de uma bela mesa, para momentos de alegria e prazer. 

Sobre a gastronomia brasileira, acha que se desenvolveu muito, deixou de ser uma mera profissão de cozinheiro, para ser destaque no mundo. Gastronomia está ligada a cultura, e depois que conseguimos fazer essa relação, crescemos e expandimos com nossas receitas, nossos ingredientes, e com isso, os profissionais da área ganharão destaque. Hoje também somos referência para o mundo, por mérito de alguns chefes que saíram da beira do fogão, para serem pesquisadores da nossa fauna e flora, para explorar nossas riquezas. Deixamos de sermos vistos como o país do arroz com feijão, da feijoada com caipirinha, para sermos vistos e saboreados com uma profusão de aromas, sabores e cores.

E sobre a gastronomia regional?

Essa na minha opinião foi se perdendo ao longo do tempo. Considero que essa profissão é tão jovem no nosso estado, e já está tão prostituda. Foi esquecido o juramento que fizemos de cozinhar com a alma, para nos confrontar numa disputa de egos sem fim. A criatividade, o inusitado, a irreverência, foram dando lugar a disputa de espaço, de elogios, méritos e reconhecimentos. Esquecemos a cozinha, para sermos chef’s em busca da “frigideira de ouro”, da medalha de ouro, do destaque do ano. Fomos picados pela mesma mosca dos políticos, esquecemos do povo, esquecemos dos nossos ideais. E ai deles, se criticarem nossa comida, nossas criações…

Luciana foi colunista gastronômica do jornal Diária de Cuiabá, foi comentarista gastronômica na rádio Mega FM e proprietária do site Nova Mesa. Ministrou aulas de culinária na Todeschini Goiabeiras, foi proprietária do Espaço Gourmet Nova Mesa, já fez consultoria para restaurantes, e também já escreveu para blogs e revistas na área gastronômica. Atualmente é proprietária do Gourmet à Mesa, servindo refeições executivas e Fit, apenas por Delivery.

Até a próxima.

Colunista Fernando Bicudo

Chef Gourmet

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